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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Elizabeth Bishop


                                                             


A arte de perder 

A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subsequente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério. 

3 comentários:

Beth/Lilás disse...

Saber perder é mesmo uma arte, mas dói muito quando se trata de um ser querido. Ah, eu acho que ainda não estou preparada para exercer esta arte!
bjs cariocas

Ana Maria Braga disse...

A vida é um perde-ganha a toda hora. Perdemos aqui, ganhamos acolá e assim a vida segue.
Bom domingo. Bjs Lais.

Teresinha Ferreira disse...

Olá Laís,
Será que a perda é uma arte? E a saudade?
Amanhã vou citar seu blog na minha postagem, ok?
Tudo de bom.
www.democratizacaodamoda.blogspot.com

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