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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do professor

Lembro-me dela com muito carinho, pois passou pela minha vida de forma suave , mas deixou marcas profundas. Marcas essas, porque soube aprender, ser amiga e muito mais. O que a tornou ímpar não foram meros detalhes, foram muito mais que isso. Sabia o que queria, e se empenhava em fazer tudo com perfeição. O tom suave da voz,o carinho com os demais, o respeito por tudo, o compromisso com a aprendizagem, a dedicação, o empenho tudo a compunha integrando todas as partes para tornar-se una. Ainda tenho em minha mente a imagem da primeira vez que se postou perante a classe para o trabalho que seria apresentado.Seu nervosismo deixou sua voz embargada,porque tinha um nível de exigência muito alto, além da conta , para que tudo saísse perfeito.Seu medo não a impediu de vencer o desafio, e se apresentar com  brilhantismo, o que levou à classe que ainda não a conhecia a admirá-la e respeitá-la.
Durante muito tempo esteve comigo, e sempre primou  pela simplicidade e conhecimento, características de almas nobres. Nunca se negava a nada, estava sempre pronta para explicar e ajudar os que tinham mais dificuldades. Esteve a frente de muitas atividades e sempre se destacou pelo esforço, persistência,obstinação em suplantar dificuldades e vencer desafios. Criou na escola um jornalzinho que levava o nome de “Sempre Alerta”, talvez esta ainda seja a sua postura na vida. Após ter concluído o ensino médio não sei que caminho seguiu, não sei que rumo tomou , espero que seja aquele que desejou e trabalhou para conseguir.
Uma vez que alunos nunca retornam é comum não sabermos se foram bem sucedidos ou fracassaram.Sentimo-nos sempre incompletos com a sensação que o trabalho nunca terminou. Em nossas memórias ficam apenas vagas lembranças de alguns que sobressaíram aos demais, os outros se diluem no tempo.
A Daniele Aparecida Rodrigues, esse é seu nome, é uma das que não se perdeu no tempo, persisti até hoje, porque alunos(as) como ela são raros. Não posso afirmar que não há, mas posso dizer que em tempos de hoje,é muito difícil encontrá-los.
O que temos é um amontoado de jovens que têm como postura a má educação, desrespeito, falta de caráter, oportunismo e muito mais. A concorrência entre eles se instala na disputa de quem é o pior.Todos se atropelam nesta maratona para chegar ao pódium(pódio) da mediocridade, estar no topo e ganhar o troféu da imbecilidade. Na corrida da sala de aula, se esmeram nas competições de quem tem o caderno mais sujo, mais pichado, de quem fala mais alto, de quem afronta mais, de quem agride com mais veemência, quem fala o palavrão mais escabroso, quem destrói com mais eficácia a carteira, a porta, o banheiro e assim por diante. Se plantam na porta da escola para perturbar as aulas, com sons em volumes altíssimos, comprar o baseado, riscar carros,conquistar garotas, tocar fogo nos cadernos dados pelo governo.Jamais dão frutos, apenas se apodrecem como sementes da vida mesmo antes de germinar,crescer e florescer. Mas a Daniele foi diferente, ou soube ser diferente em todos os aspectos, e tenho certeza que continua sendo, esteja onde estiver, marcou a vida de muitas pessoas e talvez continue marcando.
Lembro-me do projeto “Caderno de Redação”e de suas redações, como eram belíssimas!Se empenhava tanto em fazê-las com perfeição que ainda consigo visualizar as imagens que descrevia, ou as narrativas que fazia. Dentre tantas, lembro-me de um texto em que descreveu suas sapatilhas de balé. Posso visualizá-las nitidamente, ainda hoje, penduradas atrás da porta, de cetim rosa, desgastada pelo uso, na tentativa em conseguir a perfeição na dança.
Não me canso de dizer que foi ímpar, tanto o foi que hoje no Dia do Professor dediquei uma parte de meu tempo para homenageá-la porque foi exemplo para os colegas de classe. Espero que não tenha seguido a carreira de professora, pois se o fez deve sentir-se decepcionada como eu por antever UM FUTURO SEM EDUCAÇÃO ou uma EDUCAÇÃO SEM FUTURO.
Ao homenageá-la neste texto, o meu desejo é que um dia ela se encontre aqui, e se reconheça. Quero que saiba que ainda sinto orgulho por ter sido sua professora.Sinto saudades, porque hoje tenho carência no meu cotidiano escolar de alunas(os) como ela. Eles existem, mas são raros, dificilmente se mostram e quando o fazem são discriminados. E na juventude, lidar com este sentimento é traumático.
Os troféus para aqueles que exercitam a arte de ensinar, se resumem em lembranças de alunos ou alunas como a Daniele. Sinto-me premiada por ter recebido muitos troféus  como este durante a minha vida profissional. Mas ao mesmo tempo sinto-me penalizada pelos professores que hoje estão iniciando sua carreira com tanto idealismo mas terminarão seus dias com mãos e mentes vazias, como já se sentem, e estão hoje.

               “EDUCAÇÃO! PARA POUCOS SOLUÇÃO, PARA MUITOS! ENGANAÇÃO”





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