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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Informados ou manipulados, eis a questão!

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Imagens do blog;muitasbocasnotrombone.blogspot.com
Num sermão ideal dos bem-informados, gostaria de que subíssemos a montanha da reflexão, para desenhar diante de nós as pessoas que queremos ser:

Bem-informados os que lêem todos os dias as páginas dos jornais, sabendo filtrar ideologias, polêmicas vazias e outras magias.
Bem-informados os que assistem à televisão todos os dias, selecionando os canais e os programas realmente informativos e educativos.

Bem-informados os que folheiam as revistas certas, escapando da fofoca, do boato, da ilusão, adquirindo verdadeiro conhecimento e entretenimento.


Bem-informados os que, informatizados, navegam na Internet, procurando os sites do saber e do lazer, numa verdadeira pesquisa e não por mera curiosidade.
Bem-informados os que participam de chats e listas de discussão virtuais, e transformam o superficial em encontro humano.
Bem-informados os que freqüentam o cinema (e as videolocadoras), e se deixam seduzir pelos efeitos especiais, sem esquecer o que é mais especial ainda: a imagem eloqüente.
Bem-informados os que amam o teatro, e interpretam o papel insubstituível daquele que se desoprima na catarse, na voz ao vivo, no corpo em chamas.
Bem-informados os que ouvem rádio, e se deliciam com as estações da boa musica, da entrevista bem feita, inteligente, da notícia objetiva, mas não acrítica.
Bem-informados os que vão aos museus e cortejam as musas que cantam nos quadros, sussurram nas esculturas e passeiam nas instalações.
 Bem-informados os que prestigiam a arte onde quer que a encontrem, no salão ou na salinha, na avenida ou na pracinha, e rendem seu culto a cada cintilação da beleza.
Bem-informados os que vêem na arquitetura contemporânea a inspiração dos antigos templos e o mistério das pirâmides.

Bem-informados os que lêem os livros capazes de, em suas asas, levar-nos para dentro de nós mesmos, sem desprezar o mundo.
Bem-informados os que lêem os livros novos, com a condição de que não sejam descartáveis.  
Bem-informados os que lêem os livros antigos, com a condição de que sejam renovadores.

Bem-informados os que lêem os livros de poemas, e dão à poesia um lugar de honra no mundo dos cálculos inescrupulosos.

Bem-informados os que lêem os livros que falam de outros livros, e, nessa busca dentro da busca, encontram o prazer de ler elevado à quinta potência.
Bem-informados os que têm sede e fome de verdade, e realmente a procuram nos caminhos e descaminhos da Idade Mídia.

Bem-informados seremos se soubermos, com critério e bom senso, exercitar a arte da palavra e da leitura, distinguindo para apreciar, e divulgando nosso amor à cultura sem perder o bom humor.
Jamais.
(trechos extraídos do livro A arte da palavra De Gabriel Perissé Editora Manole 1ª edição 2003 – São Paulo) 
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