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sexta-feira, 30 de abril de 2010

"Um trabalhador poeta..."



“O meu fraco é fazer verso e recitar para os admiradores, porém, nunca escrevo meus versos. Eu os componho na roça, ao manejar a ferramenta agrícola e os guardo na memória, por mais extenso que seja” confessa ele. Assim, se ele continuou a entregar-se às improvisações pelo prazer, a poesia que ele destina à transcrição está intimamente ligada ao ritmo do trabalho quotidiano, acompanhando os gestos dos trabalhos do campo e composta mentalmente ao longo dos anos, servindo-se de capacidades impressionantes de memorização.”

Cabloco Roceiro

Caboclo Roceiro, das plaga do Norte
Que vive sem sorte, sem terra e sem lar,
A tua desdita é tristonho que canto,
Se escuto o meu pranto me ponho a chorar

Ninguém te oferece um feliz lenitivo
És rude e cativo, não tens liberdade.
A roça é teu mundo e também tua escola.
Teu braço é a mola que move a cidade


De noite tu vives na tua palhoça
De dia na roça de enxada na mão
Julgando que Deus é um pai vingativo,
Não vês o motivo da tua opressão
Tu pensas, amigo, que a vida que levas
De dores e trevas debaixo da cruz
E as crides constantes, quais sinas e espadas
São penas mandadas por nosso Jesus

Tu és nesta vida o fiel penitente
Um pobre inocente no banco do réu.
Caboclo não guarda contigo esta crença
A tua sentença não parte do céu.

O mestre divino que é sábio profundo
Não faz neste mundo teu fardo infeliz
As tuas desgraças com tua desordem
Não nascem das ordens do eterno juiz

A lua se apaga sem ter empecilho,
O sol do seu brilho jamais te negou
Porém os ingratos, com ódio e com guerra,
Tomaram-te a terra que Deus te entregou

De noite tu vives na tua palhoça
De dia na roça , de enxada na mão
Caboclo roceiro, sem lar , sem abrigo,
Tu és meu amigo, tu és meu irmão.


As poesias sempre me encantaram, mas as que nascem da simplicidade me encatam mais.
                         Patativa do Assaré foi poeta na lida e na vida.

5 comentários:

prof@ Roseli disse...

Complementando...
Poesia (Poetas populares)

"A nossa poesia é uma só
Eu não vejo razãopara separar
Todo o conhecimento que está cá
Foi trazido dentro de um só mocó
E ao chegar aqui abriram o nó
E foi como se ela saísse do ovo
A poesia recebeu sangue novo
Elementos deveras salutares
Os nomes dospoetas populares
Deveriamestar na boca do povo

Os livros que vieram para cá
O Lunário e a Missão abreviada
A donzela Teodoro e a fábula
Obrigaram o sertão a estudar
De repente começaram a rimar
A criar um sistema todo novo
O diabo deixou de ser um estorvo
E o boi ocupououtroslugares
Os nomes dos poetas populares
Deveriam estarna boca do povo

No contexto de uma sala deaula
Não estarem essesnomes me dá pena
A escoladevia ensinar
Pro aluno nãome achar um bobo
Sem saber que os nomes que eu louvo
São vates de muitas qualidades
O aluno devia bater palma
Saber de cada um o nome todo
Se sentir satisfeito e orgulhoso
E falar deles para os de menor idade
Os nomes dos poetas populares"
Antonio Vieira
(recitadopor MªBethânia no show Dentro do Mar tem rio)

efeitoseconceitos disse...

Eis aqui um grande exemplo de que sensibilidade é algo que pode, muito bem, nascer da sensibilidade.
Bjos
Yoyo

Laís Dorta disse...

Obrigada Roseli por acrescentar tão linda poesia à minha postagem sobre "Um trabalhador poeta"...
bjs Lais

Laís Dorta disse...

Olá Yolanda!
Só reconhece quem conhece.
bjs Lais

Danny disse...

Ola linda, vim agradecer a visita.
Lindo texto.
Desejo um lindo final de semana.Beijocas

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